LEMINGUES CHORAM POR OLAVO
Quem assistiu ao vídeo de Olavo de Carvalho rompendo relações com Jair Bolsonaro,[1] acusando-o de usá-lo e não ter sido um verdadeiro amigo que, nas palavras do guru:
“Se você não é capaz de me defender contra essa gente toda, eu não quero sua amizade, porque eu fui seu amigo, mas você não foi meu amigo!”
Com processos por calúnia e difamação, aiatolavo, não é de hoje, um disseminador de notícias falsas, hoax de internet e teorias conspiratórias, entremeadas, a bem da verdade, por algum conteúdo filosófico, cada vez mais raro. Claro que nessa lida, ele vai semear inimigos que o querem acabado e, feliz ou infelizmente, a conta chegou. Se Olavo perder seu visto nos EUA, provavelmente terá que se ver com a Justiça Brasileira, se não quiser dormir na cadeia. Exceto, é claro, se fugir do Brasil e acabar aceito como exilado e, por uma fina e ferina ironia da História, como aqueles pratos de vingança que se come frio, apoiado por uma “agência globalista” que tenha um programa para refugiados políticos.
Em certo momento de suas lamúrias, ele diz que há milhares de páginas produzidas contra ele, desde a época da extinta rede social, o Orkut, e que este seria o “verdadeiro gabinete do ódio” produzido contra “um cidadão particular”. A autocomiseração explícita, a vitimização de si, o desabafo não existiram quando a ira alheia lançava seus dardos na rede, mas só agora que os processos o apertaram. É tudo uma questão de dinheiro, embora ele fale de “cultura” e arrote uma falsa superioridade, ele está se portando como um pedinte injustiçado na beira de uma sarjeta com o pires na mão e um megafone na outra. Daí, em meio a sua fala, ele dá o salto do gato cego numa sala escura onde tudo que existe é uma fértil imaginação regada a muito adubo orgânico e vomita:
“Se você estuda a linguagem desse pessoal (…), a linguagem é a mesma, os temas são os mesmos. É claro que isso está articulado há décadas, há décadas existe esse gabinete do ódio contra o Olavo, porra!”
Pronto! Ele não perdeu sua oportunidade de ouro para emplacar mais uma esdrúxula teoria conspiratória, como se ele fosse tão importante que levasse diferentes grupos a perder tempo com sua marca de insignificância na Terra. O que parece um desabafo por traição “enfie esta sua condecoração no cu” não passa, na verdade, de um pedido de esmola com a ameaça “eu acabo com teu governo”. E Bolsonaro, como sabemos, está numa encruzilhada, para garantir a adesão e apoio do eleitorado que o ergueu e elegeu, mas que está em franco declínio. Só para se ter uma ideia, em Santa Catarina, estado onde resido, ele se elegeu com 76% dos votos, mas já conta com 73% de desaprovação em relação a condução do governo no combate ao novo coronavírus.[2] Imagine logo mais…
A questão é o que será feito da “ala ideológica” do governo, cheia de olavistas? Difícil para eles reestruturar toda narrativa que serve de base para suas decisões, quando ela é um pastiche do olavismo que, por sua vez, já é um conjunto enjambrado de teorias anticientíficas. Vejamos aqui o que disse um dos membros olavistas desse governo:
“Globalismo é a ideologia que preconiza a construção de um aparato burocrático – de alcance global, centralizador e pouco transparente – capaz de controlar, gerir e guiar os fluxos espontâneos da globalização de acordo com certos projetos de poder. Não confunda uma coisa com outra.”
Conceitos como esse não são o resultado de extensas pesquisas empíricas ou de revisões bibliográficas, mas sim o mero transplante de um mecanismo teórico marxista-leninista, no qual se substitui uma “elite imperialista-capitalista” por outra, uma “elite mundial-globalista”. Então, uma vez feita a ruptura entre Olavo e Jair, o que restará a estes membros do governo, especialmente acusados de integrar o chamado “gabinete do ódio”, grupo de olavistas que se esmeram em ataques ad hominem contra opositores ao governo?
A cadeia alimentar desse governo já está clara, temos os tubarões nos estratos superiores da hierarquia vivendo de ameaças; na base de apoio, os lemingues, que são roedores que despencam dos fjords ao esbarrarem uns nos outros; mas, o mais curioso, são as rêmoras, grudadas aos primeiros com suas ventosas e que terão que se decidir qual rumo tomar: o da disputa em mar aberto ou da segurança nos estamentos das repartições públicas. Esta posição, Olavo já não tem e só lhe resta mesmo, o fanatismo dos roedores que o acompanham em sua peregrinação suicida.
Anselmo Heidrich
8 jun. 2020
_______________________________
[1] VÍDEO EM QUE OLAVO DE CARVALHO ROMPE COM BOLSONARO https://youtu.be/_aDhNr_Zd4M
[2] Reprovação a Bolsonaro chega a 73% em Santa Catarina, estado no qual teve 76% dos votos em 2018 https://br.noticias.yahoo.com/coronavirus-reprovacao-bolsonaro-santa-catarina-73-142631604.html?soc_src=social-sh&soc_trk=tw
[3] Filipe G. Martins [https://twitter.com/filgmartin/status/1063449402864529408].