Falta Meritocracia na Educação

Anselmo Heidrich
2 min readSep 19, 2019

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Em 18 de junho, o governador da Louisiana, John Bel Edwards, assinou o orçamento de 2019–20 do estado durante uma visita à Capitol Elementary School de Baton Rouge, promovendo o aumento de US $ 1.000 que o novo orçamento está dando a todos os professores de escolas públicas da Louisiana. A ação do governador Bel Edwards segue os passos dos aumentos salariais dos professores em muitos outros estados este ano, incluindo Alabama, Carolina do Sul, Arizona, Oklahoma e Geórgia, entre outros.

Aumentos salariais são uma coisa boa. Eles podem aliviar o estresse financeiro que muitos professores enfrentam e vários estudos vincularam maior remuneração dos professores à menor rotatividade de professores (PDF).

Pequenos aumentos salariais não vão longe o suficiente para avançar no ensino como profissão ao longo da vida, com oportunidades de promoção.

Elevating Teacher Voices, Along with Their Salaries to Professionalize Teaching in Louisiana https://www.rand.org/blog/2019/09/elevating-teacher-voices-along-with-their-salaries.html via @RANDCorporation

É bom saber que ainda há preocupações com a remuneração dos professores em alguns lugares do mundo, mas isso, por si só, não melhora a qualidade de ensino. Reitero: há muito tempo venho dizendo (e sendo ignorado) que simplesmente aumentar o salário de professores em bloco não melhora a qualidade de ensino. O artigo trata da realidade de Lousiana, nos EUA, mas que pode ser estendido a qualquer outro lugar. A autora, no entanto, sugere que outras soluções, como cursos de aperfeiçoamento sobre como usar devidamente o currículo são uma alternativa correta. Eu digo, sim e não (detesto dizer isto, dá uma sensação de imprecisão e enrolação, mas vá lá…), sim e não porque, realmente, os professores têm que ter rotina de atualização e, diferentemente daqueles cursos de formação, complementação, atualização, o diabo, onde se vê mais teorias pedagógicas sobre o “papel do professor”, “relação aluno/professor” e outras perdas de tempo, não se vê o que realmente importa para a maioria despreparada: domínio do conteúdo. Este é um ponto, mas outro, ausente, sem o qual, no meu entendimento, tudo isto passa a perder o sentido com o tempo, pois descarta um dado fundamental da natureza humana: nós competimos, seja por puro egocentrismo, seja por regozijo pessoal, não importa. Para mim é inadmissível que um professor inexperiente e mal avaliado pelos alunos receba o mesmo salário de outro, cujas pontuações, inclusive em testes e provas regulares feitas pelos alunos tenha desempenho muito diferente.

Alguém falou em avaliação de professores? Sim, eu falei. E sem isto, nenhum plano de melhoria da qualidade de ensino irá evoluir porque se torna impossível avaliar a qualidade do profissional de ensino. Cara… Como podemos cobrar meritocracia na sociedade se os próprios professores não se submetem a ela?

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